Modelo Transteórico de Mudança do Comportamento (MTT)

Já pensou como é difícil mudar alguns hábitos que desenvolvemos ao longo da vida? Alguns tem dificuldades em alguns comportamentos e outros têm dificuldades em mudar e agir diferente em outros contextos. Algumas pessoas lutam com a obesidade ou sobrepeso, outros lidam com dificuldades com o sedentarismo. Outras pessoas lutam contra a dependência química, o uso do álcool ou do tabaco.


É sobre esse tema que vamos tratar hoje. Em meados de 1980, os psicólogos Prochaska e DiClemente desenvolveram um modelo transteórico que abrange tanto aspectos cognitivos como modificações comportamentais. O que na época era difícil conseguir combinar essas duas abordagens terapêuticas, acabou se tornando um verdadeiro marco e de lá para cá, muitas pesquisas vêm sendo desenvolvidas com sucesso em relação mudança de comportamentos mais difíceis.


Mudar ou não? Eis a questão!

Algumas dicas úteis do (MTT)


Lidar com comportamentos impulsivos e compulsivos pode ser uma tarefa árdua. Algumas dicas que os psicólogos autores desse modelo propõe, são simples comportamentos que podemos exercer sempre que sentirmos aquela vontade enorme de realizar hábitos que já não queremos mais. Eles sugerem 3 formas de lidar com esses impulsos. Segundo suas pesquisas (Prochaska & Prochaska, 2016 p. 24-25), as pessoas têm maior facilidade em lidar com a diminuição da angústia e do estresse que por vezes antecedem esses comportamentos se:

  • Conversam com alguém, sejam familiares, amigos, terapeutas, grupos de ajuda etc.;

  • Fazem caminhadas, seja utilizando uma esteira ergométrica, em alguma academia ou parque etc.;

  • Relaxam, seja usando orações, rezas, praticando yoga, massagens, mindfulness (atenção plena e outras formas de meditação).

Obviamente, essas são apenas algumas dicas para aliviarmos aqueles momentos mais difíceis. No entanto, o MTT é um modelo teórico e prático muito rico que inicia seu trabalho interventivo desde o momento em que nem damos conta de que precisamos mudar. Às vezes, outras pessoas nos alertam que precisamos realizar algumas mudanças, a vida nos dá alguns sinais. Mas nós não percebemos. O MTT mostra que há um movimento cíclico, em espiral e constantemente dinâmico entre os estágios da mudança.

  • Na pré-contemplação não nos damos conta de que precisamos mudar;

  • Na contemplação, já temos um pouco mais de consciência de que é necessário isso acontecer, mas não nos parece muito claro, como isso acontecerá;

  • Na preparação, já conseguimos visualizar tanto aspectos cognitivos como comportamentais para realizarmos a mudança;

  • Na fase da ação, é a mudança efetiva, quando realizamos esforços nos sentido da mudança

  • Temos a fase da manutenção que é quando conseguimos sustentar essas mudanças por mais tempo, sem contar as famosas "recaídas" ou "reciclagens"que fazem parte desse processo de mudança.

Falando assim tão sucintamente, parece que temos todas as respostas. Mas não. Essas construções são realizadas em conjunto. Aprendendo dia após dia a lidar com tantas variáveis cognitivas e contextuais que permeiam o processo de mudança. Vamos aprender juntos a vencer cada hábito que já não nos valem mais a pena!


Grande abraço e conte conosco,


Melise Rute


Sugestões de leitura:

  • Changing for Good, Prochaska, Norcross & DiClemente, edição de 2006.

  • Changing to Thrive, Prochaska & Prochaska, 2016

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